
Atividade no Centro de São Paulo e Atrasos nas Negociações
No último dia 17 de fevereiro, policiais civis de São Paulo realizaram um protesto significativo no Largo São Francisco, no coração da cidade. A mobilização foi convocada pelo Fórum Resiste PC-SP, em resposta ao descontentamento gerado pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nesse contexto, o grupo manifestou sua insatisfação diante do favorecimento dado a militares em um recente grupo designado para discutir a atualização da lei orgânica da Polícia Civil.
Atualmente, a legislação que rege os direitos e deveres dos policiais civis paulistas é uma norma estadual que remonta a 1979. O protesto e a organização por parte do Fórum são um clamor pela valorização da categoria e pela necessidade de um novo diálogo com as esferas administrativas. A intenção, conforme declarado por representantes do movimento, é garantir que as vozes dos policiais civis sejam ouvidas nesse processo.
Reivindicações dos Policiais Civis
As palavras de André Pereira, coordenador do Fórum Resiste PC-SP, destacaram um ponto crucial: a relação com o governador e a expectativa de que o diálogo se mantenha aberto. “Queremos ser não apenas ouvidos, mas também ter a chance de discutir nossas demandas diretamente”, afirmou Pereira. O ato contou com a presença de diversos líderes de associações e sindicatos que representam a ampla gama de carreiras dentro da polícia, incluindo delegados, investigadores e escrivães.

Entre as principais reivindicações do protesto, estão:
- Reajuste salarial que alinhe os valores pagos aos policiais civis com os de categorias de outras unidades da federação.
- Regulamentação da carga horária, evitando horas extras não remuneradas.
- Reformulação dos planos de carreira, visando proporcionar promoções mais rápidas e justas dentro da corporação.
- Criação de um Fundo Especial da Polícia Civil, conforme preceitua a nova lei orgânica, com o objetivo de assegurar investimentos e valorização remuneratória.
Os protestantes ressaltaram que as condições atuais exigem urgência em mudanças, especialmente considerando que as decisões relacionadas à nova lei orgânica afetam diretamente o exercício de suas funções. O ato emblemático teve a participação de representantes políticos, como deputados e vereadores provenientes da Polícia Civil, que se mostraram mais críticos em relação ao governador.
Comentários e Críticas ao Governador
Durante o protesto, alguns parlamentares, como o deputado estadual Paulo Reis (PT-SP) e o deputado federal Mário Palumbo (MDB-SP), não hesitaram em criticar a administração de Tarcísio. Palumbo, por sua vez, mencionou a falta de apoio por parte de outros representantes da polícia, afirmando que muitos têm receio de desagradar ao governo e, por isso, não comparecem a manifestações como esta.
As insatisfações com o governo não são novas. No início do mandato de Tarcísio, a disparidade nos aumentos salariais entre as forças policiais já era evidente. Para a Polícia Militar, os reajustes variaram de 13,71% a 34,24%, enquanto esforços semelhantes para a Polícia Civil resultaram em um aumento máximo de 24,64%, o que gerou ressentimentos entre a categoria. Além disso, a possibilidade de que militares assumam funções privativas da Polícia Civil, como a documentação de termos circunstanciados, intensificou o desconforto.
Desgaste e Reações à Nova Lei Orgânica
O fato de o grupo de trabalho responsável pela redação da nova lei orgânica ter sido liderado por um policial militar, e não por alguém da Polícia Civil, acentuou a indignação dos manifestantes. Embora o governador tenha recuado na decisão inicial de nomear um militar para essa função, a desconfiança permanece. A legislação deve refletir as necessidades vitais da Polícia Civil, e muitos acreditam que uma coordenação por um membro não pertencente à corporação não garante que as demandas e preocupações dos policiais civis sejam efetivamente consideradas.
O ato no Largo São Francisco, localizado a poucos metros da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, manifestou a mobilização e a união dos policiais civis. As lideranças buscaram não apenas expressar suas queixas, mas também deixar claro que a luta pela valorização da categoria está longe de terminar. O que se espera é que o governo abra espaço para um diálogo mais produtivo e que as reivindicações sejam finalmente atendidas.
Compromisso com o Futuro
Conforme a situação se desenrola, os policiais civis em SP continuam a pressionar por reformas justas e necessárias. A luta por uma valorização real e o resgate da dignidade da profissão são pontos centrais nessa jornada. Com o apoio de representantes políticos e a união da categoria, há uma expectativa de que as vozes que clamam por mudanças sejam finalmente ouvidas e consideradas.
Fique por dentro de mais informações sobre as pautas em andamento para as categorias policiais e outros investimentos relevantes. Visite o site do Capital Evolutivo para mais conteúdos interessantes.


