
União das Polícias e Reivindicações ao Governo
No próximo dia 24 de novembro, representantes de 23 entidades vinculadas às polícias Civil, Militar e Penal de São Paulo se reunirão com o governador Tarcísio de Freitas. O encontro, a ser realizado no Palácio dos Bandeirantes, tem como objetivo principal a reivindicação de melhorias para essas categorias que, nos últimos anos, enfrentaram um acirrado “racha”. O clamor dos policiais envolve questões fundamentais como aumentos salariais e melhores condições de trabalho, algo que se tornou urgente após um período de promessas não cumpridas por parte do governo.
Em uma manifestação importante ocorrida no dia 18 de novembro, lideranças dessas entidades se encontraram no Largo São Francisco, próximo à sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP), para expressar suas insatisfações. Cartazes emblazonados com frases como “Prometeu, não cumpriu, mentiu!” eram um reflexo do descontentamento generalizado com a atual gestão. Esta reunião representa uma escalada nas tensões entre as polícias SP e a administração estadual, promovendo uma frente unida em prol de mudanças significativas.
Descontentamento com a Gestão do Governador e do Secretário
As críticas direcionadas ao governador Tarcísio e ao agora secretário licenciado da Segurança Pública, Guilherme Derrite, são constantes. Aqui, vale destacar que essa insatisfação não se restringe a apenas uma corporação; tanto policiais civis quanto militares estão unidos em suas demandas. Além da sempre presente questão salarial, fatores como a apresentação da nova Lei Orgânica da Polícia Civil, que está em discussão há dois anos sem inclusão das vozes da instituição, são de grande preocupação.
Os policiais militares, por sua vez, argumentam que o reajuste oferecido foi aquém do necessário para atender às suas necessidades, criando um sentimento de desvalorização. O secretário Derrite, desde seu início no cargo, foi alvo de críticas por sua escolha como representante da SSP, uma vez que é um oficial da PM. Essa decisão se contrapõe ao histórico de nomeações voltadas a representantes do Ministério Público, que visariam promover um equilíbrio entre as duas corporações.
Protestos e Reuniões que Denotam Descontentamento
A manifestação do dia 18 de novembro marca a primeira grande mobilização de policiais contra a administração Tarcísio, que, desde sua posse, tinha prometido priorizar a segurança pública. A nomeação de Derrite e a forma como a gestão tem priorizado a PM em detrimento da Polícia Civil suscitaram um acirramento nas relações entre as corporações. Policiais civis frequentemente emitem críticas sobre a falta de confiança e colaboração por parte dos PMs, o que por sua vez tem dificultado o compartilhamento de informações essenciais durante investigações.
No auge das tensões, uma proposta bombástica foi revelada: a criação do Termo Circunstanciado Policial Militar (TC/PM), que permitiria à PM investigar casos considerados de menor potencial ofensivo. Essa ideia, que não foi bem recebida, levantou preocupações de que estaria ocorrendo uma usurpação das competências da Polícia Civil, levando a um clamor por mais diálogo e colaboração entre as polícias SP.
Solidariedade entre as Corporações e a Necessidade de Integração
Durante a manifestação em frente à SSP, o delegado André dos Santos Pereira, um dos coordenadores do protesto, enfatizou a importância da integração entre as diferentes forças de segurança. “É crucial que tenhamos uma união em todos os níveis para lutar por nossas demandas. Essa é uma integração que tem que existir”, afirmou. Pereira, que também preside a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, lembrou que esta é a primeira vez, em 25 anos de serviço, que ele testemunha um governador se reunir com as polícias.
Fábio Jabá, líder do Sindicato dos Policiais Penais, também fez questão de ressaltar a importância da mobilização conjunta. “A inflação que nos afeta é a mesma que atinge os coronéis, e isso é um problema que precisamos abordar. As promessas feitas pelo secretário têm se mostrado insuficientes e essa união é uma resposta necessária”, defendeu ele.
A Importância das Demandas Conjuntas
A insatisfação com a atual gestão tem unificado as vozes das polícias SP, e com isso se abre um espaço para o tratamento de temas que, antes, eram muitas vezes ignorados. A luta por melhorias nas condições de trabalho e compensações financeiras é apenas a ponta do iceberg; a busca por um diálogo mais efetivo e integrador entre a Polícia Civil e a Polícia Militar tem ganhado corpo. A falta de um debate construtivo pode levar à perpetuação de conflitos que, em última análise, afetam a eficácia das ações de segurança pública no estado de São Paulo.
A combinação de esforços entre as diferentes entidades policiais, portanto, não deve ser vista apenas como uma resposta às promessas não cumpridas, mas sim como um passo em direção a um futuro mais coeso e colaborativo. Compreender que as dificuldades enfrentadas são comuns pode ser o primeiro passo na construção de um sistema de segurança pública mais eficiente e inclusivo.
A mobilização das polícias SP neste contexto reflete uma busca por dignidade não apenas nas finanças, mas em todas as relações e na própria estrutura da segurança pública do estado. Esta é uma oportunidade para que as categorias possam reivindicar seus direitos de maneira coesa e assertiva, estabelecendo um novo marco nas interações entre os organismos de segurança.
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